quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A verdade diante dos olhos

A verdade está diante dos olhos, basta querer vê-la. Ela existe e não precisa de nós para existir, não precisa de nossa crença, de nossa compreensão.

Acabo de ler uma rubrica sobre uma obra de José Saramago, escritor português ateu e idoso, experiente, vivo. É estranho eu perceber com indignação a opinião alheia, coisa que antes poderia passar despercebida diante de meus olhos. Seguindo a teoria do grandioso e importante Einstein, “tudo é relativo”, então me dirá você: “o que lhe parece certo, para alguém incorreto está”. Deixemos de lado tamanha relatividade que sinceramente, atualmente me sai pelos ouvidos e soa como uma explosão nos meus neurônios em desenvolvimento. Tenhamos um posicionamento, façamos nossos cérebros tão potentes trabalhar, mudemos um pouco nossa postura para adotar opiniões, que de fato tornam-se escassas nesses tempos feitos de imagem e sexo, dinheiro e poder. Ora o poder está na palavra, ora na verdadeira ação. Sobre a palavra justamente, encontramos a faculdade humana que define o entendimento, a compreensão e a transmissão dos mesmos; e sobre ela, a interpretação humana, sabemos que nunca foi digamos, confiável. A distorção de fatos, histórias, palavras e pensamentos, sempre fez parte da condição humana e infelizmente, sempre fará; independente de nossa vontade ou esforço. É com lamentação que soube que o ilustríssimo Saramago convida Deus para tomar café com o papa - símbolo máximo e polêmico da fé católica - provando assim sua existência. Pergunto então: "Ora meu querido portuga, quem acreditas ser para exigir tamanha prova e por que crês ser merecedor de tal importância, ao provocar àquele que numa condição remotíssima e possivelmente inexistente - segundo os descrentes -, criou o céu, a terra e a ti próprio, ó temível grão de areia na praia?" Demonstro portanto aqui, certa indignação quanto a esta simplista opinião: seria assim tão fácil resumir Deus? Ele então se resume à fé católica, à seus dogmas e símbolos, idolatrias e controvérsias, cuja existência poderia somente então ser comprovada se o mesmo convidasse o Papa para um café, quem sabe, imagino eu, numa mesinha no Vaticano. Ou então, explicando de outra forma, Deus demonstraria interesse em mostrar-se ao nobre escritor simplesmente por vaidade, para lhe provar algo, nisto ele seria então tomado por um “reflexo tipicamente humano” e tentaria provar o que não precisa para alguém que mesmo com todas as evidências imagináveis, continuaria insistindo em não acreditar, pois o outro reflexo humanóide, o orgulho, demonstra-se demasiado forte em sua personalidade. Tendo em conta que a fé é inexplicável, por isso mesmo é considerada fé, concluímos que ela não se resume a uma religião, a uma imagem, etc. Deus que está além do consciente coletivo, além da vaidade e provocação, além da crença e religião, não demonstrará aquilo que não quer a quem não queira, ou melhor, a quem não queira ver. Não é de hoje que pessoas “importantes” (conceito criado pelos homens justamente para definir certa hierarquia naquilo que geralmente não precisa de hierarquia), dão suas opiniões quanto à este tema. Já diria Nietzsche algo parecido que nem apetece-me citar. Este que como “livre pensador”, usufruía muito bem de uma possibilidade que lhe foi desde sempre concedida, que é o livre arbítrio. Simplesmente, por mais que tivesse diante dos olhos o óbvio, escolheria o contrário, o que lhe parecesse mais improvável na condição humana. Notáveis são suas observações, e a de muitos outros; contudo, há sempre algo que não satisfaz à curiosidade dos homens, um resquício de inalcansável, uma pitada de não-sei-o-quê, que faz pessoas justamente como o filósofo ou o escritor (ou até mesmo você), dedicarem-se mental e corporalmente por toda a vida. Sinceramente, este foi apenas um desabafo pós-leitura, que insistiu em aparecer escrito em algum lugar. Não é pergunta, não é resposta, é apenas uma reação ou conclusão à uma linha de pensamento. É uma verdade válida no meio de tantas outras.

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