Entre tantas inutilidades mediáticas e em meio ao descaso global, eventualmente, surgem idéias, projetos e iniciativas produtivas de propagação de boas e interessantes mensagens baseadas em pontos de vista politicamente corretos. É o caso do documentário “The Corporation”, no qual temos uma breve e atual análise do capitalismo em suas proporções nos dias de hoje. As grandes corporações, em nossa sociedade, fogem de qualquer tipo de controle e demonstram sua capacidade cada vez maior de obter lucros, sempre desconsiderando possíveis conseqüências nocivas à humanidade. Nascido na Inglaterra, durante a Revolução Industrial, o capitalismo rapidamente tomou sua forma desprovida de consciência, em meio a uma sociedade cujos valores e princípios passam a ser diminutos conforme o avanço do tempo. Sabendo que nossa natureza humana permite todos os tipos de comportamento, observamos no sistema corporativo atual, um desnível grandioso na valorização dos trabalhadores quanto àquilo que produzem, com o produto usualmente sendo vendido milhares de vezes mais caro que o salário daquele que o fabrica. Logicamente, o que entra em vigor no sistema capitalista é o máximo lucro possível a ser obtido gastando o mínimo imaginável. Este mínimo logicamente implica também na saúde global, pois cada vez mais se obtém através da química, formas de melhorar as condições lucrativas das empresas. O abuso de substâncias tóxicas resulta em verdadeiras e alarmantes epidemias, doenças mutáveis, que antes não existiam. A saúde animal entra igualmente em perigo, pois ao serem buscados melhores resultados de produção, são aplicados métodos químicos capazes de aumentar lucros. Tudo isso em um ciclo vicioso, atenta ao patrimônio maior do planeta, sua natureza.
Para manterem-se no topo, corporações utilizam-se de todos os meios possíveis, inclusive mentiras, omissão de informações, chantagens, calúnias, manipulações; em resumo, tudo aquilo que convém à empresa e possibilita concretização de resultados; afinal, se a verdade aparecer demasiadamente no meio econômico, tais empresas podem sofrer quedas em seus chiffres d’affaires; mais vale então, fazer uso de recursos como os mencionados. A possibilidade de maximizar os lucros, leva a corporação a querer satisfazer os desejos mais superficiais do mercado - o supérfluo ganha lugar de honra no cotidiano e o en vogue, é “super-consumir” ao máximo. Um dos pontos máximos no documentário, é o levantamento do fato de que a corporação, por pior que seja em termos humanitários, além de não pensar pois trata-se de uma “coisa”, é feita por homens, ou seja, o monstro sendo criado muitas vezes, por seres bons e conscientes. Nesta relação ambígua e principalmente de dependência, vemos tudo tornar-se pertencente a alguém. A privatização é cada vez mais comum, o que não é necessariamente, bom para a sociedade, pois a partir do momento que tudo tem um preço, passa-se por exemplo, a ser lícito e aceitável o fato de poluir ou o fato de dever pagar para sobreviver, o que deixa muitos indivíduos sem participação ou condição alguma de vida, pois a estes faltarão sempre recursos. Enfim, temos constatado um panorama da realidade que construímos nestes tempos em que tudo é vicioso e gira em torno de enfraquecidos objetivos morais e princípios mínimos invertidos em nome do dinheiro, ou seja, tudo faz-se por ele.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
A verdade diante dos olhos
A verdade está diante dos olhos, basta querer vê-la. Ela existe e não precisa de nós para existir, não precisa de nossa crença, de nossa compreensão.
Acabo de ler uma rubrica sobre uma obra de José Saramago, escritor português ateu e idoso, experiente, vivo. É estranho eu perceber com indignação a opinião alheia, coisa que antes poderia passar despercebida diante de meus olhos. Seguindo a teoria do grandioso e importante Einstein, “tudo é relativo”, então me dirá você: “o que lhe parece certo, para alguém incorreto está”. Deixemos de lado tamanha relatividade que sinceramente, atualmente me sai pelos ouvidos e soa como uma explosão nos meus neurônios em desenvolvimento. Tenhamos um posicionamento, façamos nossos cérebros tão potentes trabalhar, mudemos um pouco nossa postura para adotar opiniões, que de fato tornam-se escassas nesses tempos feitos de imagem e sexo, dinheiro e poder. Ora o poder está na palavra, ora na verdadeira ação. Sobre a palavra justamente, encontramos a faculdade humana que define o entendimento, a compreensão e a transmissão dos mesmos; e sobre ela, a interpretação humana, sabemos que nunca foi digamos, confiável. A distorção de fatos, histórias, palavras e pensamentos, sempre fez parte da condição humana e infelizmente, sempre fará; independente de nossa vontade ou esforço. É com lamentação que soube que o ilustríssimo Saramago convida Deus para tomar café com o papa - símbolo máximo e polêmico da fé católica - provando assim sua existência. Pergunto então: "Ora meu querido portuga, quem acreditas ser para exigir tamanha prova e por que crês ser merecedor de tal importância, ao provocar àquele que numa condição remotíssima e possivelmente inexistente - segundo os descrentes -, criou o céu, a terra e a ti próprio, ó temível grão de areia na praia?" Demonstro portanto aqui, certa indignação quanto a esta simplista opinião: seria assim tão fácil resumir Deus? Ele então se resume à fé católica, à seus dogmas e símbolos, idolatrias e controvérsias, cuja existência poderia somente então ser comprovada se o mesmo convidasse o Papa para um café, quem sabe, imagino eu, numa mesinha no Vaticano. Ou então, explicando de outra forma, Deus demonstraria interesse em mostrar-se ao nobre escritor simplesmente por vaidade, para lhe provar algo, nisto ele seria então tomado por um “reflexo tipicamente humano” e tentaria provar o que não precisa para alguém que mesmo com todas as evidências imagináveis, continuaria insistindo em não acreditar, pois o outro reflexo humanóide, o orgulho, demonstra-se demasiado forte em sua personalidade. Tendo em conta que a fé é inexplicável, por isso mesmo é considerada fé, concluímos que ela não se resume a uma religião, a uma imagem, etc. Deus que está além do consciente coletivo, além da vaidade e provocação, além da crença e religião, não demonstrará aquilo que não quer a quem não queira, ou melhor, a quem não queira ver. Não é de hoje que pessoas “importantes” (conceito criado pelos homens justamente para definir certa hierarquia naquilo que geralmente não precisa de hierarquia), dão suas opiniões quanto à este tema. Já diria Nietzsche algo parecido que nem apetece-me citar. Este que como “livre pensador”, usufruía muito bem de uma possibilidade que lhe foi desde sempre concedida, que é o livre arbítrio. Simplesmente, por mais que tivesse diante dos olhos o óbvio, escolheria o contrário, o que lhe parecesse mais improvável na condição humana. Notáveis são suas observações, e a de muitos outros; contudo, há sempre algo que não satisfaz à curiosidade dos homens, um resquício de inalcansável, uma pitada de não-sei-o-quê, que faz pessoas justamente como o filósofo ou o escritor (ou até mesmo você), dedicarem-se mental e corporalmente por toda a vida. Sinceramente, este foi apenas um desabafo pós-leitura, que insistiu em aparecer escrito em algum lugar. Não é pergunta, não é resposta, é apenas uma reação ou conclusão à uma linha de pensamento. É uma verdade válida no meio de tantas outras.
Acabo de ler uma rubrica sobre uma obra de José Saramago, escritor português ateu e idoso, experiente, vivo. É estranho eu perceber com indignação a opinião alheia, coisa que antes poderia passar despercebida diante de meus olhos. Seguindo a teoria do grandioso e importante Einstein, “tudo é relativo”, então me dirá você: “o que lhe parece certo, para alguém incorreto está”. Deixemos de lado tamanha relatividade que sinceramente, atualmente me sai pelos ouvidos e soa como uma explosão nos meus neurônios em desenvolvimento. Tenhamos um posicionamento, façamos nossos cérebros tão potentes trabalhar, mudemos um pouco nossa postura para adotar opiniões, que de fato tornam-se escassas nesses tempos feitos de imagem e sexo, dinheiro e poder. Ora o poder está na palavra, ora na verdadeira ação. Sobre a palavra justamente, encontramos a faculdade humana que define o entendimento, a compreensão e a transmissão dos mesmos; e sobre ela, a interpretação humana, sabemos que nunca foi digamos, confiável. A distorção de fatos, histórias, palavras e pensamentos, sempre fez parte da condição humana e infelizmente, sempre fará; independente de nossa vontade ou esforço. É com lamentação que soube que o ilustríssimo Saramago convida Deus para tomar café com o papa - símbolo máximo e polêmico da fé católica - provando assim sua existência. Pergunto então: "Ora meu querido portuga, quem acreditas ser para exigir tamanha prova e por que crês ser merecedor de tal importância, ao provocar àquele que numa condição remotíssima e possivelmente inexistente - segundo os descrentes -, criou o céu, a terra e a ti próprio, ó temível grão de areia na praia?" Demonstro portanto aqui, certa indignação quanto a esta simplista opinião: seria assim tão fácil resumir Deus? Ele então se resume à fé católica, à seus dogmas e símbolos, idolatrias e controvérsias, cuja existência poderia somente então ser comprovada se o mesmo convidasse o Papa para um café, quem sabe, imagino eu, numa mesinha no Vaticano. Ou então, explicando de outra forma, Deus demonstraria interesse em mostrar-se ao nobre escritor simplesmente por vaidade, para lhe provar algo, nisto ele seria então tomado por um “reflexo tipicamente humano” e tentaria provar o que não precisa para alguém que mesmo com todas as evidências imagináveis, continuaria insistindo em não acreditar, pois o outro reflexo humanóide, o orgulho, demonstra-se demasiado forte em sua personalidade. Tendo em conta que a fé é inexplicável, por isso mesmo é considerada fé, concluímos que ela não se resume a uma religião, a uma imagem, etc. Deus que está além do consciente coletivo, além da vaidade e provocação, além da crença e religião, não demonstrará aquilo que não quer a quem não queira, ou melhor, a quem não queira ver. Não é de hoje que pessoas “importantes” (conceito criado pelos homens justamente para definir certa hierarquia naquilo que geralmente não precisa de hierarquia), dão suas opiniões quanto à este tema. Já diria Nietzsche algo parecido que nem apetece-me citar. Este que como “livre pensador”, usufruía muito bem de uma possibilidade que lhe foi desde sempre concedida, que é o livre arbítrio. Simplesmente, por mais que tivesse diante dos olhos o óbvio, escolheria o contrário, o que lhe parecesse mais improvável na condição humana. Notáveis são suas observações, e a de muitos outros; contudo, há sempre algo que não satisfaz à curiosidade dos homens, um resquício de inalcansável, uma pitada de não-sei-o-quê, que faz pessoas justamente como o filósofo ou o escritor (ou até mesmo você), dedicarem-se mental e corporalmente por toda a vida. Sinceramente, este foi apenas um desabafo pós-leitura, que insistiu em aparecer escrito em algum lugar. Não é pergunta, não é resposta, é apenas uma reação ou conclusão à uma linha de pensamento. É uma verdade válida no meio de tantas outras.
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